Quarta-feira, Março 17, 2010
Aí estão os novos Sigur Ros... não os novos Mum... não os novos Fleet Foxes. Espera este é já o terceiro albúm... Não interessa . Muito boa música. Da Dinamarca . Pode ser que venham cá. Ao Santiago, ou talvez à Aula Magna.
Domingo, Janeiro 17, 2010
Livros novos : Liberalismo

Catherine Audard " agregé" de filosofia na London School of Economics autora de várias obras sobre utilitarismo e tradutora de Rawls para françês publicou uma excelente súmula sobre o liberalismo. De Hobbes, Smith e Montesquieu entres os antigos até aos modernos Hayek, Rawls e Sen tudo é visto e revisto , passado ao pormenor em texto acessível em formato de bolso( 850 páginas mas como se fossem 300) . Excelente e muito actual apresentação ainda que Audard entenda que tudo ou quase tudo é liberalismo ( mesmo quando fala de empedernidos republicanos...). Catherine Audard, Qu´est-ce que le libéralisme ? Éthique, politique , societé, Folio Essais, Paris, 2009, 843 pp
Etiquetas: Teoria Política
Sábado, Janeiro 16, 2010
Novas BDs: Marilyn

Christian de Metter, é um dos melhores desenhadores da nova geração da BD franco-belga. Em 2004 já havia sido reconhecido no Festival de Angoulême, pela densidade e complexidade dos argumentos e pela qualidade do desenho. Após adaptar um thriller de Dennis Lehane no multipremiado albúm " Shutter Island" publica agora " Marylin", na Casterman. Um retrato intimista na fronteira entre a ficção e a realidade. A Marylin que todos conhecemos encontra um jovem escritor com o qual estabelece uma relação de amizade numa noite de Inverno. Saem de Nova Iorque e acabam por , perdidos, encontrar uma estranha habitação e uma ainda mais estranha família. Uma boa intriga servida por um desenho realista ( colorido a aguarela) de grande sensibilidade e beleza. Christian de Metter, De L´Autre Côté du Mirroir, Casterman, Paris, 2009
Novas BDs: Flood !

"Flood !" é um romance gráfico de Eric Drooker, desenhador nova iorquino nascido em 1958 mais conhecido pelas suas caricaturas políticas no New Yorker e no New York Times. Trata-se de um relato onírico de uma cidade- Nova York- escura e chuvosa cheia de gente solitária e desesperada. Um retrato político a preto e branco ( algumas das páginas a azul, preto e branco) em estilo expressionista onde as imagens pela força do desenho e dos claros/ escuros, prescindem de diálogos ou legendas . Editions Tanibis, Lyon, 2009.
Etiquetas: Banda desenhada
Terça-feira, Janeiro 12, 2010
Hannah e Martin
A complexa relação amorosa entre Hannah Arendt e Martin Heidegger está no centro da peça " Hanna e Martin" em representação no Teatro Aberto. A vida de dois dos mais extraordinários filósofos do sec. XX encaixada nas vidas do mesmo século, transborda de interesse. O espectáculo e a sua encenação são originais . O recurso ao video que grava e projecta as imagens do que estamos a ver em palco de perspectivas diferentes resulta num modo diferente de ver teatro. A mesma cena surge retratada de difentes angulos ao mesmo tempo , temos liberdade para escolher a perspectiva, vemos tv e vemos teatro. Olhamos para dentro da casa através da câmara como se estivéssemos a devassar a privacidade . A interpretação é irregular. No dia em que assisti - pós Natal - parecia que as azevias e as filhóses pesavam demais nas cabeças e nos ventres dos actores. Mas a peça vale também pela riqueza dos diálogos e pela ideia com que ficamos - posto que a realidade e ficção estão quase sobrepostas- da complexa natureza humana. Dois dos seguramente mais inteligentes seres que passaram ao de cimo da Terra, cometem os mesmos erros que os comuns mortais e afundam-se em incoerências que a razão vê mas o coração não domina ( e nós a pensarmos que eles eram Deuses). Um bom pretexto para ler " A Condição Humana" de Arendt e o " Ser e o Nada" de Heidegger.
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Novas BDs
Novo Blake e Mortimer " La malediction des trente deniers" de Van Hamme, Sterne e Spiegeleer ( esta última companheira do falecido René Sterne) com uma bela aventura e a recuperação do traço rigoroso de Jacobs. Novo Lefranc de Régric e Jacquemart , numa história em torno dos mineiros de Nord -Pas de Calais , bem conseguida . Novo Les Profs de Pica e Erroc, vol. 13, sempre hilariante. Novo Lady S de Van Hamme e Aymond, passado em Lisboa : imagine-se um atentado terrorista ali na Doca de Santo junto ao Rio . E muitas mais BDs que todas as semanas inundam as livrarias electrónicas, mas raramente chegam a Portugal ( e também não precisam). Com excepção do novo Blake e Mortimer ( mas esse , claro, é sucesso comercial garantido)
Segunda-feira, Outubro 05, 2009
Ler os livros até ao fim...a propósito de Bolano
Alguém diz que adora os livros do Ballard, embora não tenha conseguido ler nenhum até ao fim ( não percebe porquê...e eu também não ). Mas já leu várias vezes os mesmos livros até metade... As mesmas metades imagino. Outro interroga-se como é possível alguns críticos literários lerem todas as semanas livros de mil páginas. Diz que levou não sei o quê para férias e não passou da pag. 419 do mesmo livro. Eu ando a ler o "2666" do Bolano ( ou melhor começei ontem à tarde) e cheguei agora ao fim do primeiro capítulo ( 190 páginas, não é mau...). Até chegar ao fim faltam perto de 1000 páginas . Lemos sempre e paramos pouco porque tudo rola em torno de várias personagens onde, a uma velocidade estonteante , acontecem coisas atrás de coisas . Não há verdadeiramente uma história ( espero não ter de me desdizer quando acabar o 2666). Há uma corrida ofegante contra o tempo de várias personagens , que nós seguimos avidamente sem nos cansarmos. Nem adianta muito voltar a atráz para retomar o fio à meada. Depois há um mistério ( verdadeiro, falso, aparente ?) que de dez em dez páginas se mantêm e se adensa ( aqui lembra um pouco o Murakami, com menos " magia "). Se vem da cabeça do escritor ou daquilo que ele viveu ( e parece que viveu muito em poucos anos de vida) a verdade é que a imaginação é transbordante . E depois o estilo ( ou melhores os estilos, porque vão variando) é cativante : aqui simples e linear, ali complexo e circulante , quase sempre recheado de filosofia, literatura e lugares incomuns.
Etiquetas: Bolano, Literatura

